sexta-feira, setembro 09, 2005
O medo
O que leva um homem ao desespero?
Uma vida de trabalho duro e honesto, honesto ao extremo, ao ponto de largar pra trás milhares de reais de "mensalinho" quando descobertos os esquemas. Uma vida de luta pelos semelhantes em trabalhos voluntários quando a AIDS ainda era a "peste gay" e os laboratórios ainda mandavam na vida e na morte. Uma vida de aprendizado, pra fazer seu trabalho técnico com a maior qualidade possível, pra que as coisas não quebrem dali a três meses. Uma vida de decidação a amigos e parentes, de tentar ensinar/melhorar a vida de cada um deles. Uma vida regida pela ética.
Pra se descobrir na meia idade desempregado e sem qualquer perspectiva de um novo emprego. Pra engolir políticos carecas com cara de vampiro que foram veementemente contra a quebra de patentes, cedendo somente após muita luta, levarem os louros pelo programa-modelo do Brasil. E outros políticos semi-carecas com cara de bonzinho sendo adorados pelo gado que é essa nossa população. E saber que os tais laboratórios ainda mandam, sim. Pra se descobrir abandonado e, se bobear, traído por cada um dos que ajudou. Pra descobrir que seu país e sua gente estão longe, muito longe, de se tornarem dignos do suor do seu rosto.
O que leva um homem ao desespero é a incapacidade de roubar, trair, enganar, quando todos mais fazem isso. O sentimento de inadequação. De não pertencer a este mundo. De não saber mais o que fazer.
O que mantém um homem desesperado ainda vivo é o nesgo de esperança de que algo de bom ainda vá acontecer. É perceber nas pessoas de rua algum senso crítico em relação ao que a mídia tenta impôr. É verificar a mesma ética e senso de justiça em amigos dos amigos, mesmo que "virtuais". Mas às vezes as forças se vão, as pernas bambeiam... e você chora. E não há palavra que console, não há colo que acalme.
Porque o fardo pesa demais e suas costas doem...
Uma vida de trabalho duro e honesto, honesto ao extremo, ao ponto de largar pra trás milhares de reais de "mensalinho" quando descobertos os esquemas. Uma vida de luta pelos semelhantes em trabalhos voluntários quando a AIDS ainda era a "peste gay" e os laboratórios ainda mandavam na vida e na morte. Uma vida de aprendizado, pra fazer seu trabalho técnico com a maior qualidade possível, pra que as coisas não quebrem dali a três meses. Uma vida de decidação a amigos e parentes, de tentar ensinar/melhorar a vida de cada um deles. Uma vida regida pela ética.
Pra se descobrir na meia idade desempregado e sem qualquer perspectiva de um novo emprego. Pra engolir políticos carecas com cara de vampiro que foram veementemente contra a quebra de patentes, cedendo somente após muita luta, levarem os louros pelo programa-modelo do Brasil. E outros políticos semi-carecas com cara de bonzinho sendo adorados pelo gado que é essa nossa população. E saber que os tais laboratórios ainda mandam, sim. Pra se descobrir abandonado e, se bobear, traído por cada um dos que ajudou. Pra descobrir que seu país e sua gente estão longe, muito longe, de se tornarem dignos do suor do seu rosto.
O que leva um homem ao desespero é a incapacidade de roubar, trair, enganar, quando todos mais fazem isso. O sentimento de inadequação. De não pertencer a este mundo. De não saber mais o que fazer.
O que mantém um homem desesperado ainda vivo é o nesgo de esperança de que algo de bom ainda vá acontecer. É perceber nas pessoas de rua algum senso crítico em relação ao que a mídia tenta impôr. É verificar a mesma ética e senso de justiça em amigos dos amigos, mesmo que "virtuais". Mas às vezes as forças se vão, as pernas bambeiam... e você chora. E não há palavra que console, não há colo que acalme.
Porque o fardo pesa demais e suas costas doem...
