sexta-feira, setembro 23, 2005
É primaveeeera... te amoooo!!!
Quinta-feira, 17h41. Estou eu na lotação indo para casa quando toca o celular. É Ele, me convidando pra ir jantar feijão. Puuutz... o feijão dele é maravilhoso, a ponto de eu esquecer da mistura. Então fui direto pra academia da Irmã "roubar" meu KArro e pouco mais de 19h já estava de pança cheia: arroz, feijão, ovo frito, farofa (Yoki) e banana. Bem "peão", mas beeeeem bão!!
De lá fomos pra pet shop comprar comida pra i cani. E pela primeira vez resolvemos comparar o preço do saco de 10kg com o de 15kg - resultado: o de 15kg é mais barato. O medo era que a ração estragasse fácil depois de aberta, mas ela é de boa qualidade, fresquinha e tal. Resolvemos experimentar.
No caminho de volta conto a ele sobre todas as queridas amizades que estou construindo na blogosfera e repasso os elogios que o "Tio Sukita" recebeu. Sem internet, não dá pra ele acompanhar a história. Então decidi que vou "apresentar" meus amigos pra ele de uma outra maneira: vou escolher 1 ou 2 textos de cada um, imprimir e entregar pra ele! Afinal, foi assim que os conheci também! :-) O da Cynthia com certeza entra na lista, o do McMut, do Afonso, um de cada participante do NPN, DO, da Nath, Rafa, etc. etc.
Um desses copio abaixo pra guardar.
- Ah, que bonitinho... Ele tá com peninha da deficiente...
Nunca nenhum desses amigos que me circulam pensaria uma besteira dessa. Mas pra ficar claro para visitantes outros que talvez passem por aqui: o nome dela é Simeia! E amei a Simy pelos seus textos. Que mostram quem ela é, claro, mas que também são muito bem escritos!! Não importa com quantas mãos!! Ou com quantos anos de idade. Ou com quantas horas de trabalho por dia (ô, inveja...) Como este aí de baixo.
Sobre a deficiência em si: houve uma época em que eu queria muito - queria mesmo! - ser deficiente (físico, visual ou mental). Porque admiro extremamente esses espíritos fortes e criativos, que vivem plenamente e com alegria apesar do que outros considerariam como adversidade. E se eu já amava a Simy antes de saber que ela é uma gata siamesa de 19 aninhos, agora então é (quase) capaz de eu me apaixonar! :-)
- Pronto, Simy, pode chorar de novo!... Hehehe...
Bom fim-de-semana e uma ótima primavera pra todos nós.
--------------------------
Meu nome é Simeia mas já tive outros.
Meu nome é Simeia sim senhor, mas eu já tive apelidos e muitos apelidos. Eu carrego uma carga para sempre, durante minha existência serei chamada de Si por muitos, este será meu castigo para sempre. Quando era pequena meus irmãos me chamavam de Tirrim ou Tirrinha sei lá, era uma boneca que segundo diziam era muito parecida comigo. Passava na Tv a propaganda da boneca com uma musiquinha assim: "Tirrim tirrim traz ela pra mim tirrim tirrim. Tirrim traz ela pra..." e todo mundo vivia cantando esta musiquinha para mim. Eu odiava e odeio este apelido que era usado SOMENTE entre os familiares, enfim pararam de me chamar assim.
Mas quando a gente nasce a gente já tem um nome, toda mãe escolhe o nome antes do bebê nascer, minha mãe também o fez. Foi lá na Bíblia no Primeiro Livro de Samuel e viu Simeia. Ela me explicou o que a mulher era na Bíblia mas eu não me lembro. Ela escolheu um nome hebraico de significado CHEIO DE FAMA o que é AFAMADO e escolheu. Eu adoro meu nome. Mas então chegou o dia de eu nascer, DIA 15/04/1987, estava tudo bem os ultra-sons tinham mostrado que estava tudo ótimo com o bebê e seria o primeiro parto de minha mãe em quarto particular, ela estava feliz, todos estavam. Parto normal, EU NASCI, e era uma menina. Taí o primeiro nome que me deram: MENINA, minha mãe não soube o sexo antes, não quis saber foi surpresa. Se fosse menino chamaria Bernardo Augusto mas mesmo assim o primeiro nome que me chamariam seria MENINO.
Minha mãe tem um bom gosto do caramba, até se fosse menino teria um nome que eu adoraria.
Bom aí a enfermeira me olha, analisa meu corpinho, e ela queria dizer a palavra, a PALAVRA MÁGICA: PERFEITINHA. Seria o segundo nome da minha existência, mas... Bom então ela disse: ELA é DEFICENTE FÍSICO. É foi meu segundo nome e eu odiei ele naquele momento. Eu era só isso aquele momento entende? Só Deficiente, todos esqueceram o Simeia Grasielle escolido com todo carinho pela minha mamãe. A enfermeira diz para o médico: "Ausência do membro superior esquerdo". Está faltando uma peça na máquina. Ela quis dizer que eu havia nascido sem a MÃO ESQUERDA. Todo o bracinho completo mas faltou uma partizinha. Finalmente me colocaram no colo da minha mãe. Aí meu nome se tornou MINHA FILHA, MEU AMOR. Ela chorou, mas eu acho que todas as mães choram quando nascem seus bebês. E ela me amou.
Os telefones dos familiares começaram a tocar e todos diziam: "nasceu a FILHA da Noeme e ela é DEFICIENTE" os piores eram ALEIJADA, chegaram a dizer que eu era RETARDADA. E as tias choravam, os avós, os primos. Ninguém nunca tinha chorado no nascimento de um familiar, no meu choravam. Eu até hoje não entendo o que eles pensavam naquele momento, enquanto diziam estas coisas. Eu sei o que eles pensavam. Pensavam assim: COITADA vai sofrer. Meu deus mas era só uma mão. Só uma mão seus idotas.
Eu nasci na capital de MG, BH, mas morava na cidadezinha próxima chamada Prudente de Moraes. Como demorou a me chamarem de SIMEIA GRASIELLE por lá.
Eu cresci e virei SIMEIA ou SIMY, adoro os dois. Meu deus e como eles se enganaram. Minha mãe me deu uma criação maravilhosa. Com 6 aninhos aprendi a ler para desespero de quem achou que além da "deficiência física" havia ali também uma deficiência mental. Apanhei como meus irmãos quando fazia travessuras. Com 8 anos comecei a ajudar minha mamãe no trabalho doméstico. Ficava sempre na barra da saia dela aprendendo e aprendi. Com 10 anos já sabia fazer o almoço da família. Todos os meus irmãos já sabiam com esta idade. Fui a primeira da classe, fui líder. Com 15 anos comecei a trabalhar. Queria por que queria estudar na escola grande e bonita que tinha na cidade vizinha, Sete Lagoas. Fui e estudei. Trabalhava como Recepcionista por meio período na escola e estudava lá mesmo. Meu salário? Era quase compatível ao da mensalidade. Eu adorava trabalhar lá. Podia mandar nos meus colegas de sala e tirava onda com eles. Eles eram gente boa pra caramba e ficavam o dia todo na por lá nas escolinhas de esportes, de línguas... Fiz todo meu Ensino Médio lá e valeu a pena. Nesse período eu viajei muito. Bahia, Vitória, interior de MG, Petrópolis. Petrópolis foi inesquecível, parecia um conto de fadas, foi a melhor viagem da minha vida.
Bom eles esqueceram a deficiência e eu quase me esqueço também. A maioria das pessoas que eu conheço nem notam da primeira vez, mas engraçado que elas se sentem traídas por isso. Os caras principalmente, os preconceituosos é claro, acham que eu deveria me mostrar toda pra perceberem antes de qualquer coisa que falta algo em mim, mas isso são pessoas que não merecem estar com ninguém. Quando mando uma foto para alguém tenho que mandar de corpo inteiro porque se não o fizer acham que estou escondendo algo. Meu curriculum? Tem que ir escrito: Deficiente Físico Leve. Ausência do membro superior esquerdo. Bom manuseio de computadores e aparelhos do gênero. Digitação normal. Bla, bla, bla...
Mas quando me conhecem as pessoas simplesmente se esquecem que eu sou DEFICIENTE, falando fisicamente, e este detalhe se torna NADA. Eu não tenho amigos preconceituosos e eu nem conheço estas pessoas. Não escreverei um artigo sobre preconceitos e nem sobre direitos a favor desta classe.
MEUS DIREITOS SÃO OS SEUS DIREITOS.
OS PRECONCEITOS QUE EU SOFRO SÃO OS MESMOS QUE VOCÊ SOFRE.
EU VIVO NO MESMO MUNDO QUE VOCÊ
E MINHA VIDA... ELA NÃO É TÃO INTERESSANTE PARA SE TORNAR EXCLUSIVA SÓ POR CAUSA DE UMA MÃO.
MEU NOME? MEU NOME É SIMEIA
Ps: Isto não é um protesto é minha vida.
De lá fomos pra pet shop comprar comida pra i cani. E pela primeira vez resolvemos comparar o preço do saco de 10kg com o de 15kg - resultado: o de 15kg é mais barato. O medo era que a ração estragasse fácil depois de aberta, mas ela é de boa qualidade, fresquinha e tal. Resolvemos experimentar.
No caminho de volta conto a ele sobre todas as queridas amizades que estou construindo na blogosfera e repasso os elogios que o "Tio Sukita" recebeu. Sem internet, não dá pra ele acompanhar a história. Então decidi que vou "apresentar" meus amigos pra ele de uma outra maneira: vou escolher 1 ou 2 textos de cada um, imprimir e entregar pra ele! Afinal, foi assim que os conheci também! :-) O da Cynthia com certeza entra na lista, o do McMut, do Afonso, um de cada participante do NPN, DO, da Nath, Rafa, etc. etc.
Um desses copio abaixo pra guardar.
- Ah, que bonitinho... Ele tá com peninha da deficiente...
Nunca nenhum desses amigos que me circulam pensaria uma besteira dessa. Mas pra ficar claro para visitantes outros que talvez passem por aqui: o nome dela é Simeia! E amei a Simy pelos seus textos. Que mostram quem ela é, claro, mas que também são muito bem escritos!! Não importa com quantas mãos!! Ou com quantos anos de idade. Ou com quantas horas de trabalho por dia (ô, inveja...) Como este aí de baixo.
Sobre a deficiência em si: houve uma época em que eu queria muito - queria mesmo! - ser deficiente (físico, visual ou mental). Porque admiro extremamente esses espíritos fortes e criativos, que vivem plenamente e com alegria apesar do que outros considerariam como adversidade. E se eu já amava a Simy antes de saber que ela é uma gata siamesa de 19 aninhos, agora então é (quase) capaz de eu me apaixonar! :-)
- Pronto, Simy, pode chorar de novo!... Hehehe...
Bom fim-de-semana e uma ótima primavera pra todos nós.
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Meu nome é Simeia mas já tive outros.
Meu nome é Simeia sim senhor, mas eu já tive apelidos e muitos apelidos. Eu carrego uma carga para sempre, durante minha existência serei chamada de Si por muitos, este será meu castigo para sempre. Quando era pequena meus irmãos me chamavam de Tirrim ou Tirrinha sei lá, era uma boneca que segundo diziam era muito parecida comigo. Passava na Tv a propaganda da boneca com uma musiquinha assim: "Tirrim tirrim traz ela pra mim tirrim tirrim. Tirrim traz ela pra..." e todo mundo vivia cantando esta musiquinha para mim. Eu odiava e odeio este apelido que era usado SOMENTE entre os familiares, enfim pararam de me chamar assim.
Mas quando a gente nasce a gente já tem um nome, toda mãe escolhe o nome antes do bebê nascer, minha mãe também o fez. Foi lá na Bíblia no Primeiro Livro de Samuel e viu Simeia. Ela me explicou o que a mulher era na Bíblia mas eu não me lembro. Ela escolheu um nome hebraico de significado CHEIO DE FAMA o que é AFAMADO e escolheu. Eu adoro meu nome. Mas então chegou o dia de eu nascer, DIA 15/04/1987, estava tudo bem os ultra-sons tinham mostrado que estava tudo ótimo com o bebê e seria o primeiro parto de minha mãe em quarto particular, ela estava feliz, todos estavam. Parto normal, EU NASCI, e era uma menina. Taí o primeiro nome que me deram: MENINA, minha mãe não soube o sexo antes, não quis saber foi surpresa. Se fosse menino chamaria Bernardo Augusto mas mesmo assim o primeiro nome que me chamariam seria MENINO.
Minha mãe tem um bom gosto do caramba, até se fosse menino teria um nome que eu adoraria.
Bom aí a enfermeira me olha, analisa meu corpinho, e ela queria dizer a palavra, a PALAVRA MÁGICA: PERFEITINHA. Seria o segundo nome da minha existência, mas... Bom então ela disse: ELA é DEFICENTE FÍSICO. É foi meu segundo nome e eu odiei ele naquele momento. Eu era só isso aquele momento entende? Só Deficiente, todos esqueceram o Simeia Grasielle escolido com todo carinho pela minha mamãe. A enfermeira diz para o médico: "Ausência do membro superior esquerdo". Está faltando uma peça na máquina. Ela quis dizer que eu havia nascido sem a MÃO ESQUERDA. Todo o bracinho completo mas faltou uma partizinha. Finalmente me colocaram no colo da minha mãe. Aí meu nome se tornou MINHA FILHA, MEU AMOR. Ela chorou, mas eu acho que todas as mães choram quando nascem seus bebês. E ela me amou.
Os telefones dos familiares começaram a tocar e todos diziam: "nasceu a FILHA da Noeme e ela é DEFICIENTE" os piores eram ALEIJADA, chegaram a dizer que eu era RETARDADA. E as tias choravam, os avós, os primos. Ninguém nunca tinha chorado no nascimento de um familiar, no meu choravam. Eu até hoje não entendo o que eles pensavam naquele momento, enquanto diziam estas coisas. Eu sei o que eles pensavam. Pensavam assim: COITADA vai sofrer. Meu deus mas era só uma mão. Só uma mão seus idotas.
Eu nasci na capital de MG, BH, mas morava na cidadezinha próxima chamada Prudente de Moraes. Como demorou a me chamarem de SIMEIA GRASIELLE por lá.
Eu cresci e virei SIMEIA ou SIMY, adoro os dois. Meu deus e como eles se enganaram. Minha mãe me deu uma criação maravilhosa. Com 6 aninhos aprendi a ler para desespero de quem achou que além da "deficiência física" havia ali também uma deficiência mental. Apanhei como meus irmãos quando fazia travessuras. Com 8 anos comecei a ajudar minha mamãe no trabalho doméstico. Ficava sempre na barra da saia dela aprendendo e aprendi. Com 10 anos já sabia fazer o almoço da família. Todos os meus irmãos já sabiam com esta idade. Fui a primeira da classe, fui líder. Com 15 anos comecei a trabalhar. Queria por que queria estudar na escola grande e bonita que tinha na cidade vizinha, Sete Lagoas. Fui e estudei. Trabalhava como Recepcionista por meio período na escola e estudava lá mesmo. Meu salário? Era quase compatível ao da mensalidade. Eu adorava trabalhar lá. Podia mandar nos meus colegas de sala e tirava onda com eles. Eles eram gente boa pra caramba e ficavam o dia todo na por lá nas escolinhas de esportes, de línguas... Fiz todo meu Ensino Médio lá e valeu a pena. Nesse período eu viajei muito. Bahia, Vitória, interior de MG, Petrópolis. Petrópolis foi inesquecível, parecia um conto de fadas, foi a melhor viagem da minha vida.
Bom eles esqueceram a deficiência e eu quase me esqueço também. A maioria das pessoas que eu conheço nem notam da primeira vez, mas engraçado que elas se sentem traídas por isso. Os caras principalmente, os preconceituosos é claro, acham que eu deveria me mostrar toda pra perceberem antes de qualquer coisa que falta algo em mim, mas isso são pessoas que não merecem estar com ninguém. Quando mando uma foto para alguém tenho que mandar de corpo inteiro porque se não o fizer acham que estou escondendo algo. Meu curriculum? Tem que ir escrito: Deficiente Físico Leve. Ausência do membro superior esquerdo. Bom manuseio de computadores e aparelhos do gênero. Digitação normal. Bla, bla, bla...
Mas quando me conhecem as pessoas simplesmente se esquecem que eu sou DEFICIENTE, falando fisicamente, e este detalhe se torna NADA. Eu não tenho amigos preconceituosos e eu nem conheço estas pessoas. Não escreverei um artigo sobre preconceitos e nem sobre direitos a favor desta classe.
MEUS DIREITOS SÃO OS SEUS DIREITOS.
OS PRECONCEITOS QUE EU SOFRO SÃO OS MESMOS QUE VOCÊ SOFRE.
EU VIVO NO MESMO MUNDO QUE VOCÊ
E MINHA VIDA... ELA NÃO É TÃO INTERESSANTE PARA SE TORNAR EXCLUSIVA SÓ POR CAUSA DE UMA MÃO.
MEU NOME? MEU NOME É SIMEIA
Ps: Isto não é um protesto é minha vida.
